Você Sabia?
A deficiência visual faz parte da diversidade humana. Pessoas cegas e com baixa visão estudam, trabalham, constituem família, utilizam tecnologia, praticam esportes, ocupam diferentes profissões e participam ativamente da sociedade.
Infelizmente, ainda existem muitos estigmas, desinformação e barreiras sociais envolvendo a deficiência visual. Por isso, criamos esta seção para compartilhar informações, reflexões e curiosidades que ajudam a construir uma sociedade mais acessível, humana e inclusiva.
Crianças cegas também aprendem, brincam e se desenvolvem
Crianças cegas e com baixa visão têm plenas condições de estudar, aprender, brincar, se desenvolver e construir autonomia, assim como qualquer outra criança.
O que muitas vezes limita essas crianças não é a deficiência visual, mas sim a falta de acessibilidade, profissionais qualificados, materiais adaptados e espaços especializados.
Quando existem oportunidades, apoio adequado, inclusão verdadeira e acesso à educação de qualidade, tudo se transforma.
A infância de uma criança cega não precisa ser marcada pelo isolamento ou pela limitação, mas sim pelo desenvolvimento de suas potencialidades, autonomia e participação social.
Conheça o canal Notas da Diversidade
Habilitação e reabilitação mudam vidas
O processo de habilitação e reabilitação é fundamental para a autonomia, independência e qualidade de vida das pessoas cegas e com baixa visão.
A habilitação e a reabilitação auxiliam no desenvolvimento da orientação e mobilidade, uso da bengala, atividades da vida diária, acesso às tecnologias assistivas, inclusão escolar, social e profissional.
Esses processos também fortalecem a autoestima, a segurança e a participação social das pessoas com deficiência visual.
Hoje, Criciúma e região ainda não contam com um serviço estruturado e especializado para atender essa população.
Pessoas cegas ocupam todos os espaços da sociedade
A deficiência visual não define a capacidade, inteligência ou potencial de uma pessoa.
Com acessibilidade, educação, oportunidades e inclusão, pessoas cegas podem atuar em diferentes profissões e áreas da sociedade.
Existem pessoas cegas atuando como professores, advogados, músicos, jornalistas, psicólogos, desenvolvedores, atletas, servidores públicos, empresários e magistrados.
Conheça a história do Dr. Márcio Germano da Silva
Pessoas cegas formam família e cuidam de seus filhos
Pessoas cegas casam, constituem família, trabalham, educam seus filhos e exercem plenamente a maternidade e a paternidade.
Ainda hoje, infelizmente, existem pessoas que acreditam de forma equivocada que filhos de pais cegos precisam assumir responsabilidades de cuidado sobre seus pais.
Isso não corresponde à realidade.
Pessoas cegas aprendem técnicas, estratégias e formas acessíveis de realizar as tarefas do cotidiano e cuidar de seus filhos com autonomia e responsabilidade.
Entre essas atividades estão:
- Dar medicamentos, inclusive em gotas.
- Preparar alimentos.
- Auxiliar na higiene.
- Dar banho.
- Organizar materiais escolares.
- Levar e buscar na escola.
- Ajudar nas tarefas escolares.
Seria absurdo e até mesmo uma violação dos direitos da criança transferir para ela a responsabilidade de cuidar dos pais.
Pais cegos cuidam de seus filhos, assim como qualquer outra família.
Carros elétricos podem representar riscos para pessoas cegas
Veículos elétricos e híbridos são silenciosos e muitas vezes não emitem sons perceptíveis durante a circulação em baixa velocidade.
Isso representa um grande desafio para pessoas cegas e com baixa visão, especialmente em travessias, estacionamentos, garagens, ruas compartilhadas e deslocamentos urbanos.
Em diversos países já existem legislações que obrigam veículos elétricos e híbridos a emitirem sons artificiais de segurança para alertar pedestres.
O debate sobre acessibilidade, mobilidade urbana e segurança precisa avançar também no Brasil, garantindo que inovação tecnológica e inclusão caminhem juntas.
Nem toda pessoa com deficiência visual é cega
Muitas pessoas possuem baixa visão, condição em que existe algum resíduo visual, mesmo utilizando óculos ou tratamentos.
Cada pessoa enxerga de uma forma diferente, podendo apresentar dificuldade para ler, reconhecer rostos, identificar cores, enxergar à noite ou perceber detalhes.
A deficiência visual não é igual para todas as pessoas, e compreender essa diversidade é fundamental para combater preconceitos e ampliar a inclusão.
Braille é leitura, escrita e autonomia
O sistema Braille revolucionou o acesso à leitura e à escrita para pessoas cegas.
Criado por Louis Braille, o sistema utiliza combinações de pontos em relevo que permitem leitura por meio do tato.
O Braille continua sendo extremamente importante para alfabetização, educação, acesso ao conhecimento e autonomia.
Assim como pessoas sem deficiência utilizam a leitura visual, pessoas cegas utilizam o Braille para desenvolver escrita, ortografia, interpretação e aprendizado.
Conheça a história de Louis Braille
Tecnologia também é acessibilidade
Pessoas cegas e com baixa visão utilizam smartphones, computadores, aplicativos, inteligência artificial, redes sociais e diversas tecnologias no dia a dia.
Leitores de tela, comandos por voz, audiodescrição e tecnologias assistivas permitem acesso à informação, estudo, trabalho e comunicação.
Hoje, muitas pessoas cegas trabalham diretamente com tecnologia, produção de conteúdo, acessibilidade digital e inovação.
Você sabe o que é capacitismo?
Capacitismo é o preconceito contra pessoas com deficiência.
Ele aparece em atitudes, falas, barreiras e comportamentos que tratam pessoas com deficiência como inferiores, incapazes ou como exceções.
O capacitismo nem sempre acontece através de ofensas diretas. Muitas vezes ele aparece disfarçado de pena, espanto ou admiração exagerada.
Frases como:
- “Nossa, mas você é muito inteligente.”
- “Como você consegue usar computador tão bem?”
- “Nem parece que você é cego.”
- “Mas o fulano também é cego e é diferente.”
- “Você faz tudo sozinho?”
- “Nossa, que exemplo de superação.”
Muitas vezes parecem elogios, mas acabam reforçando a ideia equivocada de que pessoas com deficiência seriam menos capazes ou que autonomia e inteligência seriam algo inesperado.
Pessoas cegas não são todas iguais. Cada pessoa possui sua própria personalidade, habilidades, dificuldades, trajetória e forma de viver.
O respeito começa quando a sociedade compreende que pessoas com deficiência são pessoas como quaisquer outras: diferentes entre si, diversas e humanas.
Respeito também é acessibilidade
Alguns comportamentos podem ser desrespeitosos com pessoas cegas e com baixa visão.
- Puxar a pessoa pelo braço sem perguntar.
- Falar apenas com acompanhantes.
- Mexer em cães-guia sem autorização.
- Presumir incapacidade.
- Ficar falando constantemente sobre a deficiência.
- Ser invasivo ou tratar a pessoa como incapaz.
Também não é adequado fazer brincadeiras como:
- “Adivinha quem sou eu?”
- “Que pena que você não pode ver.”
Pessoas cegas não são todas iguais, e cada uma possui sua própria personalidade, rotina e forma de viver.
O respeito começa pela naturalidade, pela escuta e pela compreensão da diversidade humana.
O Brasil possui milhões de pessoas com deficiência visual
Segundo dados do IBGE, o Brasil possui mais de 506 mil pessoas cegas e 6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência visual.
Pessoas cegas estão presentes em todos os espaços da sociedade e têm direito à inclusão, acessibilidade e oportunidades.
Existem instituições referência no Brasil
Existem no Brasil diversas instituições que realizam trabalhos sérios de habilitação e reabilitação de pessoas cegas e com baixa visão.
Santa Catarina possui importantes referências nessa área, como a ACIC localizada em Florianópolis, que desenvolve trabalhos reconhecidos nacionalmente.
O Brasil sediou um encontro mundial da deficiência visual
O Encontro Mundial da Deficiência Visual de 2025 aconteceu no Brasil, na cidade de São Paulo.
O evento reuniu representantes de diversos países e uma das organizadoras do encontro foi a Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB).
Você sabe o que é audiodescrição?
Audiodescrição é um recurso de acessibilidade que transforma imagens em palavras.
Ela permite que pessoas cegas ou com baixa visão tenham acesso a filmes, peças, fotografias, apresentações, eventos e conteúdos visuais.
Hoje, a audiodescrição está presente em cinemas, aplicativos, canais de televisão, museus, teatros e plataformas de streaming.
O Brasil possui grandes atletas paralímpicos
O Brasil possui grandes atletas paralímpicos com deficiência.
Muitos representam o país em competições internacionais e conquistam medalhas, mostrando talento, dedicação e superação de barreiras sociais.
O esporte também é ferramenta de autonomia, inclusão social e fortalecimento da autoestima.
Conheça o Centro Paralímpico Brasileiro
Pessoas cegas podem atuar em grandes empresas
Existem profissionais cegos atuando em grandes empresas de tecnologia no Brasil e no mundo.
Pessoas cegas trabalham em diversas áreas, incluindo educação, direito, comunicação, tecnologia, música, administração e desenvolvimento de sistemas.
Conheça a história de Lucas Radaelli
Influenciadores digitais também ajudam a transformar a sociedade
Existem influenciadores digitais cegos e com baixa visão que compartilham seu cotidiano nas redes sociais.
Eles ajudam a informar a sociedade, combater preconceitos e mostrar diferentes experiências da deficiência visual.
Oportunidade transforma vidas
Quando uma pessoa cega tem acesso à educação, reabilitação, tecnologia e oportunidades, ela pode desenvolver plenamente suas habilidades.
Pessoas cegas ocupam espaços em universidades, empresas, instituições públicas e diversas áreas profissionais.
A deficiência visual não impede sonhos, projetos ou desenvolvimento humano.
Conheça a história de Márcio Castro de Aguiar, pessoa cega, ativista do movimento das pessoas com deficiência e servidor público do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), onde atua como Diretor do Departamento de Acessibilidade e Inclusão Social (DEAIS). Sua trajetória demonstra a importância da acessibilidade, da inclusão e das oportunidades na construção de uma sociedade mais justa e humana.
